O setor mineral foi historicamente importante para o desenvolvimento do Brasil e até hoje possui destaque considerável na economia brasileira e mundial: a mineração contribui com cerca de 4% do PIB brasileiro e o país é um importante exportador de ferro, manganês, tântalo, nióbio e bauxita.
Mais recentemente, os esforços para descarbonização da economia mundial, característica do atual processo de transição energética global, implicam na maior penetração de tecnologias de energia mais intensivas no consumo de minerais para sua produção, como é o caso das energias solar e eólica, além de baterias, por exemplo. Nesse contexto, a antevisão da demanda futura desses minerais para suportar esse processo, indica oportunidades de investimento que estão sendo incentivadas por diversos países, de modo que a oferta futura desses minerais não se constitua em gargalo para a transição energética.
Há muita interseção, em diferentes jurisdições, entre os minerais considerados críticos ou estratégicos para a transição energética. Conforme previsto no Plano Nacional de Mineração 2030, o Brasil adota o termo “minerais estratégicos” para identificar o conjunto de minerais definido no âmbito da Política Pró-Minerais Estratégicos pela Resolução MME n° 2, de 18 de julho de 2021. Este conjunto é segmentado, de forma não excludente, em: bens minerais dos quais o país depende de importação em alto percentual para o suprimento de setores vitais da economia; minerais que têm importância pela sua aplicação em produtos e processos de alta tecnologia (e aqui se incluem os minerais críticos para a transição energética); e bens minerais que detêm vantagens comparativas e que são essenciais para a economia pela geração de superávit da balança comercial do País. Os Estados Unidos da América e a União Europeia possuem classificação similar, atualizada periodicamente.
Independente da classificação adotada, não há dúvidas acerca da previsão de aumento expressivo da demanda por um conjunto de minerais em magnitude que pode mais do que triplicar até 2050. E nesse contexto, à extensão do território e à diversidade geológica brasileira, soma-se a perspectiva de enorme potencial para novas descobertas minerais. Segundo a Agência Internacional de Energia, a América Latina desponta como a região com maior potencial para receber investimentos estrangeiros e expandir a produção (tanto devido à quantidade de reservas existentes, quanto ao potencial para novas descobertas), e o Brasil, no âmbito da América Latina, é o país com maiores perspectivas de atração de investimentos, tornando-se um hot spot global para todos os agentes do setor de mineração.